Por textualidade entende-se a disciplina que tem na sua essência potenciar a acção do indivíduo perante um texto, na medida em que o interpreta, questiona e compreende. A interpretação de um texto é entendida como um processo dinâmico, que abrange todas as interpretações textuais, quer seja objectos ou textos escritos, sonoros ou visuais.
A textualidade como disciplina está intimamente conectada com a interpretação dos textos, com a procura de sentido e o cruzamento de significados entre o autor do texto, o texto e o leitor.
É numa dinâmica de círculo hermenêutico, pergunta-resposta-pergunta, e numa relação triádica entre autor-texto-leitor que considero ser possível potenciar crianças autónomas, críticas e criativas com competências e capacidades para interpretar e compreender o que lêem.
Um texto parte sempre de um determinado significado, que por sua vez, convoca significados na recepção, no sujeito, no intérprete, que tem uma rede organizada no sentido de cruzar os significados da recepção com os da produção, tornando possível a interpretação do texto.
A leitura é necessariamente criativa e não é susceptível de ser lida como uma actividade de mimetização, uma vez que age sobre o texto. Em momentos e contextos diferentes, o sujeito que age sobre o objecto ou texto, fá-lo de forma diferente regenerando a interpretação que tem do texto, como refere Ceia: “A significação de um texto nunca está acabada.” (1995: 47)
Surge então a dialéctica da literatura, como refere Carlos Ceia (In http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/D/dialectica_da_literatura.htm) , numa perspectiva hermenêutica. Ou seja, a desconstrução, as inferências e cruzamentos de significados que o leitor efectua sobre, para e com o texto, produzindo interpretações, dialogando com o texto. A possibilidade de realizar diferentes interpretações de um texto em diferentes momentos da vida do interpretante promove o conflito, que segundo Ricouer, sublinhado por Carlos Ceia, “(…) só o conflito das interpretações nos pode dar alguma coisa do ser interpretado” (Ibid).
Gostaríamos de sublinhar a relevância da actuação dialéctica com quatro princípios nomeados por Ricoeur (In http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/D/dialectica_da_literatura.htm), nomeadamente: “Como funciona o texto? ; Do que é que fala o texto? ; O que é que o texto me diz que seja comum à experiência de leitura dos outros?; Como é que o meu mundo mudou em função da leitura do texto?”.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Leitura, escrita e interpretação
É pertinente e actual reflectir sobre a importância dos “eventos de lectoescrita” e da promoção da interpretação textual crítica e criativa para o desenvolvimento de leitores pró-activos, tendo em conta não só as exigências da sociedade mas a atenção que se atribui cada vez mais às competências literácitas e linguísticas.
Pretendo contribuir para esta reflexão partindo de um quadro teórico de referência que assenta na textualidade em educação. Deste modo, pretendo ir publicando alguns posts sobre pontos que considero relevantes para uma boa discussão sobre a leitura, a escrita e a interpretação de textos em crianças dos 4 aos 7 anos.
Sublinho, temas como a actualidade escolar, a leitura e a escrita, ou ainda o Plano Nacional de Leitura, enquanto estratégias e linhas orientadoras que ajudam a emergir as competências literácitas e linguísticas nas crianças.
A reflexão cruza os referidos temas com o estudo de caso sobre a Leitura, a Escrita e a Interpretação no pré-escolar e no primeiro ano do 1º ciclo do ensino básico, num agrupamento de escolas da rede pública do Ministério da Educação efectuado no âmbito da dissertação de mestrado em Ciências da Educação no ano de 2007
Pré-escolar e 1º Ciclo do Ensino básico
“ A educação pré-escolar e os primeiros anos de escolaridade são um período crucial para aquisições linguísticas de grande importância” (Inês Sim-Sim, 2004a:10). Corroborando a afirmação de Inês Sim-Sim gostaría de sublinhar a importância que estes níveis de ensino têm sobre a literacia emergente, a literacia familiar, a interpretação e a compreensão leitora.
Desde que nascem, as crianças mantêm contacto com material impresso e estão inseridas numa comunidade leitora que lhes permite criar uma “pré-história” no seu percurso de aprendizagens ao longo da vida que não deve ser esquecido em qualquer nível de ensino. Como sublinha Claire Woods (in Ferreiro e Palacio, 2003: 251) quando se refere aos “eventos de lectoescrita”, os contactos formais ou informais influenciam os processos de leitura e escrita de cada sujeito, e o sucesso nas suas aprendizagens depende também deste conhecimento por parte do docente que assim poderá responder de modo mais adequado às necessidades dos seus alunos.
São três os conceitos teóricos que exporemos nos posts seguintes: textualidade, interpretação e compreensão leitora.
Deixo-vos um vídeo para reflectir.
Pretendo contribuir para esta reflexão partindo de um quadro teórico de referência que assenta na textualidade em educação. Deste modo, pretendo ir publicando alguns posts sobre pontos que considero relevantes para uma boa discussão sobre a leitura, a escrita e a interpretação de textos em crianças dos 4 aos 7 anos.
Sublinho, temas como a actualidade escolar, a leitura e a escrita, ou ainda o Plano Nacional de Leitura, enquanto estratégias e linhas orientadoras que ajudam a emergir as competências literácitas e linguísticas nas crianças.
A reflexão cruza os referidos temas com o estudo de caso sobre a Leitura, a Escrita e a Interpretação no pré-escolar e no primeiro ano do 1º ciclo do ensino básico, num agrupamento de escolas da rede pública do Ministério da Educação efectuado no âmbito da dissertação de mestrado em Ciências da Educação no ano de 2007
Pré-escolar e 1º Ciclo do Ensino básico
“ A educação pré-escolar e os primeiros anos de escolaridade são um período crucial para aquisições linguísticas de grande importância” (Inês Sim-Sim, 2004a:10). Corroborando a afirmação de Inês Sim-Sim gostaría de sublinhar a importância que estes níveis de ensino têm sobre a literacia emergente, a literacia familiar, a interpretação e a compreensão leitora.
Desde que nascem, as crianças mantêm contacto com material impresso e estão inseridas numa comunidade leitora que lhes permite criar uma “pré-história” no seu percurso de aprendizagens ao longo da vida que não deve ser esquecido em qualquer nível de ensino. Como sublinha Claire Woods (in Ferreiro e Palacio, 2003: 251) quando se refere aos “eventos de lectoescrita”, os contactos formais ou informais influenciam os processos de leitura e escrita de cada sujeito, e o sucesso nas suas aprendizagens depende também deste conhecimento por parte do docente que assim poderá responder de modo mais adequado às necessidades dos seus alunos.
São três os conceitos teóricos que exporemos nos posts seguintes: textualidade, interpretação e compreensão leitora.
Deixo-vos um vídeo para reflectir.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Novas Literacias
Literacias...
Plural e sem dúvida a forma mais adequada de nos referir-mos ao conceito tendo em conta os dias que correm.
A propósito eis um slideshow de Luis Pereira sobre o tema.
Plural e sem dúvida a forma mais adequada de nos referir-mos ao conceito tendo em conta os dias que correm.
A propósito eis um slideshow de Luis Pereira sobre o tema.
Novas Literacias
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sábado, 2 de janeiro de 2010
A literacia no séc. XXI
Bom Ano de 2010
Deixo-vos um link interessante sobre algumas questões que podem ser abordadas no que diz respeito à literacia do presente século.
O que é na realidade Literacia?
Quantas Literacias existem: Familiar, visual, digital...???
Estaremos nós docentes preparados para a nova Literacia?
Boas reflexões
Deixo-vos um link interessante sobre algumas questões que podem ser abordadas no que diz respeito à literacia do presente século.
O que é na realidade Literacia?
Quantas Literacias existem: Familiar, visual, digital...???
Estaremos nós docentes preparados para a nova Literacia?
Boas reflexões
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